terça-feira, 4 de maio de 2010

30/abril


Comecei a escrever esse post e ele ficou imenso. Eu falava de Aldous Huxley e “Admirável Mundo Novo”, comparando com “1984” e “V de Vingança” e discutia que as sociedades “perfeitas” tanto na ficção quando no mundo real derivam de governos totalitários (já que a outra opção é que elas sejam formadas por pessoas perfeitas, e aí só na ficção). Discutia como a queima de livros foi prática da igreja medieval, de Hitler, do Socialismo Soviético e de tantos outros estados que se pretendiam perfeitos. Concluía (mais ou menos no meio do texto) que o custo de uma sociedade “perfeita” é sempre as pessoas. Elas precisam ser tratadas como meros recursos, descartáveis, menos importantes do que o clube, o grupo, o estado, a igreja, sendo alijadas de tudo que essencialmente as torna pessoas, para o bem maior. Contei ainda um ou dois casos que ocorreram comigo ou pessoas próximas que ilustravam o que nos diferencia de bichos, o que nos torna gente (como uma amiga que num natal foi junto com a igreja distribuir sanduíches aos sem-teto e ouviu o agradecimento do mendigo no centro do Recife por não ser sopa de novo). Mais ou menos na quarta página eu estava conseguindo me direcionar para as conclusões desejadas, de que nada que deixe de dignificar as pessoas pode ser inerentemente bom e coisas do tipo. Aí lembrei da síntese de Joseima, e achei o texto absolutamente supérfluo diante do poder de concisão, da clareza e da elegância: “Tem coisa que não se faz com gente”.


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